terça-feira, março 06, 2007

Cenografia: tipos de palco

Um dos primeiros aspectos a considerar na montagem de um espectáculo teatral, passa por sabermos com que palco podemos contar, ou seja, saber qual o lugar onde se vai erguer o espectáculo a que se propõe.

O local onde encenar é particularmente importante, até porque em Cabo Verde são muito poucos os espaços equipados ou construídos para o Teatro. Temos portanto que adaptar o espaço que temos disponível às nossas necessidades cénicas.

Tradicionalmente existem cinco espécie de palcos:

A) O “tréteau” ou tablado descoberto: consiste essencialmente num estrado encostado a uma parede, ou no caso de teatro ao ar livre, encostado a um monumento. Só a essa parede se podem encostar os elementos do cenário e tem condições para ter o público circundando-o por três lados. Era o palco habitual da Commedia Dell’Arte e dos teatros de feira. Em geral quando um espectáculo decorre num tablado descoberto não se usa pano de boca. Este é o tipo de palco que, por razões estruturais mais se utiliza em Cabo Verde. Mesmo que não haja estrado, basta um espaço, pomos o público num lado e apresentamos o espectáculo no outro. No antigo edifício do Centro Cultural Português (prédio do Amarante), onde encenamos as nossas primeiras peças, foi isso que fizemos, embora por vezes possamos tentar elevar algumas zonas do público com estrados para uma melhor visibilidade.

B) O palco à italiana: é o palco mais habitual, o mais clássico, e o que geralmente encontramos nas salas dos grupos de teatro profissionais. Classicamente, funciona como um mundo separado do mundo do público, que a ele assiste como ao espectáculo de um quadro vivo. Em Cabo Verde, como exemplos deste tipo de palco temos o Éden Park, no Mindelo, o auditório Jorge Barbosa e o auditório da Assembleia Nacional, na Praia.



C) O palco à inglesa: que mais não é do que uma variante do palco à italiana, mas em que a parte da frente do palco - a ribalta - é anulada, sendo ao palco acrescentado uma espécie de corredor central. É o caso dos teatros da época de Shakespeare, como o Globe Theatre. Em Cabo Verde, não existe nenhuma estrutura deste tipo.



D) O palco rebaixado ou anfiteatro: difere do palco à italiana e do palco à inglesa apenas pelo local destinado ao público que, por se sentar num anfiteatro, tem uma visão mais clara do palco. É o exemplo que todos melhor conhecemos, pois corresponde à descrição do auditório do Centro Cultural do Mindelo, a sala mais utilizada pelos grupos teatrais de Cabo Verde.

E) O palco de arena: consiste apenas num grande estrado colocado no meio dos espectadores, ou até, um espaço central sem estrado. Este tipo de palco, dispensa todo o cenário, impossibilita as ocultações, apenas realizadas em momentos por um corte de luz. Os circos tradicionais funcionam neste tipo de estruturas que podem ser feitas em qualquer local e por isso é uma boa hipótese para quem faz teatro em Cabo Verde.



Seja como for, e no que diz respeito ao lugar onde representar a peça que queremos encenar, não nos devemos preocupar muito com isso. Tudo é adaptável. Como já se disse aqui, basta que haja um espaço vazio e material humano, o resto virá por si.

Foi o que aconteceu, por exemplo, na peça “O Fantasma de S. Filipe”, feita no átrio do Centro Nacional de Artesanato em Mindelo, onde a encenação se teve que adaptar ao espaço e não o contrário.

Quando não temos meios, temos que usar a imaginação. “O vazio no teatro permite à imaginação encher os buracos. De maneira aparentemente paradoxal, quanto menos lhe damos mais satisfeita fica. A imaginação fica muito feliz por jogar o jogo” (Peter Brook, In “O Diabo é o Aborrecimento”).

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segunda-feira, dezembro 18, 2006

Teatro na Grécia Clássica

O próprio significado da palavra teatro tem referência a sua forma física original, podemos traduzir como: contemplo, vejo, visão por onde se vê um espectáculo. O teatro grego era um verdadeiro edifício, e seu tecto era o céu azul. As apresentações ocorriam durante o dia, dependendo sobretudo, do clima para serem confirmadas e realizadas. Conforme vemos na figura abaixo, todos os detalhes eram estudados para que o público não perdesse qualquer parte dos espectáculos.

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Teatro Grego: Arquitectura III


Aqui ficam algumas imagens com respectivas legendas, para um melhor entendimento da arquitectura do Teatro Grego.

Figura A: perfil (corte) do teatro clássico Grego




Figura B: esquema do teatro clássico Grego, com legenda

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Teatro Grego: Arquitectura II



Pela planta baixa dos antigos teatros gregos, podem-se visualizar as seguintes partes:

  • Ao centro, a orchestra, uma espécie de esplanada circular, sobre a qual evoluía o coro, que entra pelos corredores laterais, os páradoi.

  • Abrangendo metade deste círculo, encontra-se o théatron, destinado aos espectadores, um conjunto de degraus dispostos em hemiciclo, divididos em secções radiais e andares, por patamares horizontais.

  • Em frente ao théatron, encontra-se a skéne, uma espécie de construção que se destinava inicialmente a guarda de material e à mudança de roupa dos actores. Depois imaginou-se dotar este edifício de uma parede com várias partes para figurar a fachada exterior da habitação onde transcorria a acção. Nasce, assim, o cenário teatral. Mais tarde, pinturas apropriadas apostas a esta parede passaram a sugerir os cenários cada vez mais arrojados pela concepção do dramaturgo.

  • Ao longo da skéne, estende-se uma passarela denominada proskénion, com três a quatro metros de altura, onde, pensa-se, actuavam os actores. Pode-se dizer que existia entre os espectadores a mesma desigualdade vigente entre a população cénica – actores, coreutas e figurantes: no théatron há as arquibancadas para o público comum e lugares especiais para convidados especiais.





    Alguns teatros tinham capacidade para 5.500 pessoas (Delos); outros, para 14.000 (Epidauros).

    As dimensões deste edifício dão prova da sua popularidade e da sua integração nos hábitos sociais e políticos dos gregos, incrustando algumas das suas contradições na sua própria arquitectura.
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Teatro Grego: Arquitectura I



Théatron: “lugar de onde se vê



Para poder realizar-se este novo género estético foi necessária a criação de um espaço arquitectónico específico, ao ar livre, o que possibilitava um nível de confronto muito favorável às manifestações espontâneas do público e o aproveitamento de todas as horas do dia iluminado para a realização das encenações.

A construção do teatro grego geralmente se integrava ao complexo de edificações onde se situavam os templos e estádios desportivos, aproveitando a encosta de colinas, para que se garantisse o efeito acústico.

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