quinta-feira, dezembro 14, 2006

Dionysus





Dioniso: Deus da Vegetação e do Vinho – morre violentamente, mas retorna à vida. Assim, como toda a semente que passa uma parte do ano debaixo da terra, Dioniso morre, renasce, frutifica, torna a morrer e retorna ciclicamente. A sua história reproduz as estações do ano: a época de semear, de esperar a semente germinar e finalmente, a colheita.

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O Culto a Dionísio




Dioniso, deus da vegetação e do vinho, era homenageado pelos primitivos habitantes da Grécia, através de procissões que procuram relembrar toda a sua vida. Estes cortejos reuniam toda a população e eram realizados na época da colheita da uva, como uma forma de agradecimento pela abundância de vegetação. O homem primitivo acreditava que esta homenagem ao deus garantiria sempre uma colheita abundante.

Nestas procissões dionisíacas contava-se a história de Dioniso, de uma forma análoga às procissões da Semana Santa cristã, onde a vida, a paixão e a ressurreição de Jesus Cristo é relembrada.

Estas procissões fazem parte de uma tradição muito antiga dos povos primitivos gregos, e aos poucos, ao longo de centenas de anos, vão-se organizando melhor, e adquirindo contornos mais definidos. Então, o que inicialmente era um bando de gente cantando e dançando, com o passar do tempo vai-se transformando em grandiosas representações da vida do Deus, que reunia toda a comunidade, em diferentes coros cantados.

Mais tarde, estas representações dançadas passaram a ter lugar num teatro especial dedicado a Dioniso. Como parte deste espectáculo, um «coro» de homens cantava e dançava. Este coro era a evolução do antigo desfile de foliões, mas no decurso do tempo o número dos seus componentes foi limitado a 15. As mulheres não tomavam parte destas actividades, que eram próprias dos cidadãos - e as mulheres atenienses não podiam ser cidadãs.

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Da Mitologia ao Teatro



Podemos comparar o homem primitivo a uma criança que acredita em diversas histórias que tentam explicar o mundo e os seus fenómenos naturais. Até hoje, quando vivemos um espantoso avanço tecnológico e científico, que nos permite um extraordinário conhecimento e controle da natureza, não conseguimos explicar muitos dos mistérios da natureza. Imagem há milhões de anos atrás!

O homem primitivo, completamente ignorante, perdido e assustado, começa, então, a criar histórias que vão tentar explicar o mundo e a vida. É através destas histórias que ele tenta compreender e controlar a natureza, a vida, a morte, o nascimento, a fertilidade do solo, a origem do universo, que para ele eram obra dos deuses. Ao conjunto destas histórias damos o nome de mitologia.

Uma das mitologias mais conhecidas de todo o mundo é a cristã que conta no seu famoso livro, a Bíblia, a história da criação do mundo, do nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição de um dos seus principais mitos, Jesus Cristo, além de muitas outras histórias paralelas.

No nosso caso, que estamos a começar o estudo da História do Teatro Ocidental, a mitologia que nos interessa é a grega, porque é daí que vai surgir o Teatro, enquanto actividade estruturada e institucionalizada.

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terça-feira, dezembro 12, 2006

O Nascimento do Teatro



A história do teatro confunde-se com a história da humanidade. A arte de representar advém das situações vividas pelo ser humano que, por culto, religiosidade, louvor, prestígio, entretenimento, registro, ou simplesmente pela pura expressão artística expressa os seus sentimentos num mundo da fantasia muito parecido com um mundo real. O mundo evolui e a arte de representar acompanha essa evolução.

Passam os séculos e os homens ali estão vivendo, sobrevivendo e exortando, através da arte, a sua relação interpessoal, o seu passado e o seu futuro, os seus medos e os seus ideais, as suas vontades e desejos. O teatro data desde o séc. VI a.C., mas, analisando melhor, há a possibilidade de o homem constituir um vínculo com essa arte bem antes do surgimento do teatro como cerimónia grega.

Assim como o macaco provoca confusões, bate palmas, mostra os dentes, o homem pré-histórico já utilizava a arte de representar, em favor dos seus deuses misteriosos, nos rituais de antropofagia, nas danças para o fogo ou para a chuva, na simples demonstração do que o macho supremo deve fazer, impondo respeito diante dos outros machos, alongando o peito e dando gritos de ordem.

Ou seja, a representação de um personagem, a imitação de outro ser, como diz Aristóteles, “é uma prerrogativa do próprio homem”. O tempo é essencial para o amadurecimento das ideias dos homens. A contribuição de génios possibilita que o homem embarque nas filosofias, num processo de criação que não pára. E assim, surge a história cronológica do teatro, que apresenta personalidades importantes para o crescimento dos conceitos e das filosofias humanas. Homens iluminados que se completam, que juntos fazem a história acontecer de forma fácil, veloz, onde e quando querem, mesmo com todas as barreiras impostas pelos homens estagnados e mesmo com todo o atraso da ciência e da tecnologia humana.

O teatrólogo vê a vida, conhece o ser humano, exorta o seu brilhantismo calcado na observação, no comportamento de sua gente e isso é o que faz a diferença. Ver o mundo é fácil, mas há de se ter olhos para isso! Olha quantas riquezas ao redor, e mesmo assim, as pessoas não vêem, ou não querem ver, pois estão presas dentro de uma casca grossa que só os permite ver dificuldades. Enquanto isso, o tempo corre, o mundo fica sujeito a mudanças e elas ocorrem graças aos filósofos, aos artistas, aos sábios, que têm a função de, na sociedade captar o inefável e o incomensurável para transmitir ao seu público, onde nenhuma pergunta fica sem resposta e onde os maiores anseios do homem são atendidos.

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