terça-feira, fevereiro 20, 2007

A explosão do drama elisabetano

O drama elisabetano foi uma explosão teatral ímpar, o que é atestado por inúmeros factos. Sabemos que de 1576 – data em que foi construído o segundo teatro público elisabetano – até 1613, foram registados mais de oitocentos títulos de peças, das quais só nos restou pouco mais de metade. No mesmo período Londres contava com cerca de 16 estabelecimentos teatrais em pleno funcionamento, alguns com companhias permanentes – inclusive as formadas inteiramente por crianças . e maus uma dúzia de dramaturgos famosos, competindo entre si ou escrevendo a quatro e até seis mãos. Porquê esta avidez tão grande em escrever? Para atender à demanda urgente de novas peças para os repertórios das companhias. William Shakespeare, um dos dramaturgos mais activos, escreveu aproximadamente um milhão de palavras em vinte anos de carreira. (…)

E o que mais emociona ao estudar a história deste teatro é a sua espantosa capacidade de sobrevivência, sempre ameaçada por dois tipos de factores. Primeiro, os naturais: as epidemias de peste bubónica que decretavam o imediato encerramento dos teatros para evitar a aceleração do contágio. Segundo, os sócio-políticos, a ferrenha oposição dos puritanos, que consideravam o teatro obra do Diabo, e a eterna vigilância da censura central, que zelava pela segurança do regime absolutista da monarquia elisabetana.



Se não há dúvidas de que Shakespeare foi um génio, também não há dúvidas de que a sua genialidade foi possibilitada pelo facto de ele ter sido herdeiro de uma longa e rica tradição teatral, assim como de uma longa e rica tradição poética, e de ter nascido numa época particularmente favorável às artes e à cultura.

Nas palavras do pesquisador francês Jean Duvignaud, o teatro “é uma arte enraizada, a mais engajada de todas as artes na trama da vida da experiência colectiva, a mais sensível às convulsões que abalam uma vida social em estado de permanente revolução. O teatro é uma manifestação social”. Este aspecto da arte teatral, o de revelador do seu momento histórico, já havia sido apreendido pelos elisabetanos. Eis que Hamlet, na série de instruções que dá aos actores preconiza:

O objectivo da arte dramática, cujo fim, tanto na sua origem como nos tempos que correm, foi e é o de apresentar, por assim dizer, um espelho à vida, mostrar à virtude suas próprias feições, ao vício sua verdadeira imagem, e a cada idade e geração sua fisionomia e características.”

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História: Teatro Elisabetano I



TEATRO ELISABETANO - INTRODUÇÃO

Um dos grandes marcos da história do teatro ocidental, depois do teatro grego e do teatro medieval, foi o aparecimento deste drama extraordinário que floresceu na Inglaterra na segunda metade do século XVI e no início do século XVII. Este desabrochar foi o clímax de uma longa tradição teatral desenvolvida – com maior ou menor intensidade mas sempre ininterruptamente – desde a Idade Média até à Renascença Inglesa. O teatro desta época é chamado elisabetano porque a maior parte da sua existência corresponde ao reinado da rainha Elisabeth I, que se estende de 1558 a 1603. (…)



O ápice da excelência da obra shakespeariana, entretanto, só se concretiza na era jacobina a partir da morte da rainha Elisabeth I. Com excepção de Hamlet, feita entre 1601 e 1602, três das chamadas grandes tragédias foram escritas a partir de 1603: Otelo (1603-04), Macbeth (1605-06), Rei Lear (1606-07) e que culmina com a obra prima A Tempestade (1611). (…)

Imagens:
1. Globe Theatre
2. Rei Lear, pelo Grupo de Teatro do CCP

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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Shakespeare: para saber mais




Um site com informação completa sobre o grande dramaturgo inglês, além de uma extensa base de dados, sempre em inglês. Eis o endereço:


http://www.shakespeare.about.com

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Shakespeare: belas citações

Algumas das mais belas frases:



"É uma infelicidade da época, que os doidos guiem os cegos".

"Sinto a fúria de suas palavras, mas não entendo nada do que você diz."

"A mulher que não sabe pôr a culpa no marido por suas próprias faltas, não deve amamentar o filho, na certeza de criar um palerma."

"Algumas quedas servem para que nos levantemos mais felizes."

"Quanto mais fecho os olhos, melhor vejo/ Meu dia é noite quando estás ausente/ E à noite vejo o sol se estás presente."

"Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio."

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos."

(para continuar...)

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Grandes Nomes do Teatro Universal 05



William Shakespeare
(1564 - 1616)

Shakespeare é considerado um dos mais importantes dramaturgos e escritores de todos os tempos. Seus textos literários são verdadeiras obras de arte e permaneceram vivas até os dias de hoje, onde são retratadas freqüentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura.




Nasceu em 23 de abril de 1554, na pequena cidade inglesa de Stratford-Avon. Nesta região começa seus estudos e já demonstra grande interesse pela literatura e pela escrita. Com 18 anos de idade casou-se com Anne Hathaway e, com ela, teve três filhos. No ano de 1591 foi morar na cidade de Londres, em busca de oportunidades na área cultural. Começa escrever sua primeira peça, Comédia dos Erros, no ano de 1590 e termina quatro anos depois. Nesta época escreveu aproximadamente 150 sonetos.

Embora seus sonetos sejam até hoje considerados os mais lindos de todos os tempos, foi na dramaturgia que ganhou destaque. No ano de 1594, entrou para a Companhia de Teatro de Lord Chamberlain, que possuía um excelente teatro em Londres. Neste período, o contexto histórico favorecia o desenvolvimento cultural e artístico, pois a Inglaterra vivia os tempos de ouro sob o reinado da rainha Elisabeth I. O teatro deste período, conhecido como teatro elisabetano, foi de grande importância. Escreveu tragédias, dramas históricos e comédias que marcam até os dias de hoje o cenário teatral.

Os textos de Shakespeare fizeram e ainda fazem sucesso, pois tratam de temas próprios dos seres humanos, independente do tempo histórico. Amor, relacionamentos afetivos, sentimentos, questões sociais, temas políticos e outros assuntos, relacionados a condição humana, são constantes nas obras deste escritor.

No ano de 1610, retornou para Stratford, sua cidade natal, local onde escreveu sua última peça, A Tempestade, terminada somente em 1613. Em 23 de abril de 1616 faleceu o maior dramaturgo de todos os tempos, de causa ainda não identificada pelos historiadores.



Principais obras:

- Comédias: O Mercador de Veneza, Sonho de uma noite de verão, A Comédia dos Erros, Os dois fidalgos de Verona, Muito barulho por coisa nenhuma, Noite de reis, Medida por medida, Conto do Inverno, Cimbelino, Megera Domada e A Tempestade.

- Tragédias: Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Julio César, Macbeth, Antônio e Cleópatra, Coriolano, Timon de Atenas, O Rei Lear, Otelo e Hamlet.

- Dramas Históricos: Henrique IV, Ricardo III, Henrique V, Henrique VIII.

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terça-feira, janeiro 09, 2007

Reflexões Teatrais 08



«A nossa festa acabou. Os nossos actores,
Que eu avisei não serem mais que espíritos,
Derreteram no ar, no puro ar:
E como a trama vã desta visão,
As torres e os palácios encantados,
Templos solenes, como o globo inteiro,
Sim, tudo o que ele envolve, vai desaparecer
Sem deixar rasto. Nós somos o estofo
De que se fazem sonhos, e esta vida
É encerrada no sono.»

William Shakespeare (1564 - 1614)

Dramaturgo
(A Tempestade)

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